Todo mundo já ouviu falar nas belezas do Egito, em especial na região sobre a qual as pirâmides lançam sombra e que sempre foi um elemento fundamental na passagem de povos da Ásia para a África. Nesse lugar, durante o século XIX, o francês Ferdinand Lesseps construiu uma das grandes obras da engenharia humana: o canal de Suez, que é de extrema importância, pois liga o mar Mediterrâneo ao mar Vermelho, encurtando muito o caminho entre a Europa e a Ásia.
Entre os anos de 1954 e 1970, o Egito foi governado por Gamal Abdel Nasser, passando por profundas mudanças. Nascido em 1918, Nasser se destacou como militar na guerra contra Israel, em 1948. Desse momento em diante, passou a integrar um movimento contra o corrupto governo do rei Farouk do Egito. Depois de algumas lutas internas do movimento, acabou assumindo o poder total e iniciou um grande programa de mudanças no Egito. Nasser elaborou uma reforma agrária que limitou o tamanho das propriedades rurais e redistribui terras confiscadas.
Fundamentado no seu imenso prestígio, Nasser passou a tentar assumir uma liderança dentro do mundo árabe. Participou do movimento dos “não-alinhados”, países que recusavam qualquer interferência das potências, procurou unir os países árabes em torno de ideais comuns (panarabismo). Uma das medidas mais notórias que Nasser tomou foi a nacionalização do canal de Suez. Com isso, em julho de 1956, ele anunciava que o canal de Suez, agora, estava sob controle do governo egípcio. Dominar o canal representava um poder enorme, tendo em vista que grande parte do comércio mundial passava por suas águas. Tal medida não foi recebida muito bem por alguns países como Israel, França e Inglaterra.
Dessa maneira Israel se aliou às antigas potências coloniais e disparou um ataque fulminante ao Egito em outubro de 1956, no mesmo mês em que aviões anglo-franceses bombardearam zonas do canal e a capital egípcia. Os Estados Unidos se mantiveram numa posição neutra, ou seja, nem atacando e nem defendo abertamente a intervenção em Suez. Já a ex-URSS, fez uma pesada campanha diplomática de repressão à invasão do canal. Com a pressão soviética, os americanos forçaram a retirada das tropas francesas, israelenses e inglesas. Terminada a guerra, Nasser ganhou o direito de manter o canal sob controle egípcio, aumentando ainda mais o seu prestígio. Mesmo assim, as tensões entre Israel e os árabes permaneceram.